MAIS UMA HOMENAGEM A VÓ MIÚDA
(atividade acadêmica observada pelo docente como "lindo". Assim fico mais esgura na pimeira postagem; risos...).
Resumindo a minha meninice e o meu adolescer as férias em Cachoeira, minha cidade natal, e São Félix, vizinha do outro lado da ponte de ferros e dormentes, posso carinhosamente dizer que foi uma velha infância.
Infância curtida e vivida na companhia de uma velha.
Cheiro de velha... Que saudades do cheiro de velha da brevidade de minha vó Miúda. Sua casa humilde era o meu território. Enquanto minhas imãs preferiam a badalada capital eu ia badalando sobre os paralelepípedos das minhas históricas férias.
O sacudir da ponte trazia boas novas. “Lá vem Manué!”, ela gritava animada. Eu ansiosa esperava por Emanuel, o maquinista do trem de carga. Meu pai. Hoje para mim apenas Téu.
A ausência da gramática em sua vida lhe dava o poder de apelidar o seu nobre genro e admirador, assim como eu.
Dias de sábado eu levantava às sete, ia para a porta de casa escovar os dentes no "tonel" e era só despontar no chafariz para ver a sabedoria e a ignorância juntas subindo a ladeira da misericórdia por trás daquela figura que se auto-nomeava a “Delegada da ladeira” às pausas, com as mãos nas cadeiras e exaustivos suspiros a cada parada.
“Tem miséricórida meu Deus Menino!”
Hummmm... Que delícia! Amanhã tem caruru. Taí um sabor da velha infância. Azeite, leite de coco, amendoim, castanha e quiabo... O velho caruru de dona Miúda.
Às tardes era certo receber visitantes. A Miúda nunca estava só. E nas enchentes?!?!?! Sua caa era abrigo dos atingidos pelo fenômeno. E eu achando tudo fenomenal.
Agora, quando retorno à minha Cachoeira sinto o cheiro da velha nos dormentes quase extintos da ponte. Sinto um vazio miúdo, logo tomado por uma energia imensa. E para não esquecer daquela que se foi em meus braços, adotei uma receitinha: A minha irmã mais velha, Relva, é para mim Ervinha. Eu “descobri” que Míuda não sabia chamar o diminutivo de Relva corretamente de propósito. Para que eu, cria da sua cria não genética pudesse chamar todos os dias da minha vida "Ervinha" e com o simples gesto me sentir Graúda, assim como aquela velha Miúda.
Produzido em 20/08/2009.
Velho, que lindo! muito legal a forma que você escreve.. gostei do "quem sou eu" também! Ass.:Nicole.
ResponderExcluirNatureza intensa, leve, não só na desenvoltura com as palavras, de como lê bem, se expressa bem... ...te admiro da minha forma explicita, nas minhas entrelinhas... parabéns!
ResponderExcluirQue lindo seu novo blog,tenho certeza que você conseguirá consquistar todos seus ideais e objetivos.
ResponderExcluirVocê escreve super bem! Por que vc escreve tudo que vem do seu coração!
Sucesso.
Oba! Viagens! Tô dentro! Beijoca!
ResponderExcluirEu fui, estava presente, senti o cheiro da ferragem enferrujada da ponte, da terra... mas não como vc, não com seus sentimentos, mas eles eu senti, ouvi e agradeci.
ResponderExcluirobs: Amiga coloca aí: FOTO: LUCIANA FRAGA. Inspirada.
Irmãzinha, passou agora um filme na minha cabeça, que saudade!!! Obrigada por retratar tão bem um pouco na nossa história. Vc é espetacular. Te amo!
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