domingo, 16 de outubro de 2011

Cimentança e saudade

Lua grande

Sol de longe

Saudade

Da mangueira podada...

Salvo seu tronco, banco



Quando menina era minha floresta sombria

Agora é terreiro aberto

Onde a lua chega exuberante e linda

E o sol faísca saudade da tarde

Meus pés no chão da terra

Minhas unhas sujas

Pretas



Plantas...

Agora envasadas

Terra prisioneira em planeta que leva seu nome



No quintal de Téu tem leira, mamoeiro e fogueira

Que a gente acende quando quer dançar



À noite lembrança do dia

Dos pássaros desabrigados no arrebol

Da pitangueira resistente

Das pitangas, sobreviventes da cimentança,

Brigando por um bico fino faminto

E os vasos, embaixo, clamando por mais uma semente

Que abrigada pela terra e banhada pela água

Brotará mais uma vida envasada e nutrida pelo planeta Doente



No quintal de Téu sobreviventes comungam a mesma dor

A mesma saudade

Diariamente

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