quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Aos Meus Pais

Por Natureza França


Aqui do quarto escuto ele

Ao violão

Lá com seus livros, fotos e conspirações

Lembranças remotas de eras e eras

Que eram e se foram

Que erram e remontam seus amores

Mas não mudam de lugar


Venho aqui te ver, te viver

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A minha vida que vem de tuas vidas

Hoje não intensamente mais vividas com a mesma glória que o passado me cutuca

Mas ainda são vocês

E se este sou eu, para sempre quer ser

Meu herói


Construímos o poder de errar e sofrer

Mas pensar e pensar para sorrir do mar e do fogo

Que queima as mãos às cabeças prensadas,

E prensadas


Queremos sorrir

Para seguir

Queremos sorrir

E seguir

Porque somos nós

Aqui é o nosso lugar

Minha raiz na beira do mar da baía


Minha baía

Minha e de todos os santos


Meus pés na maré

A linha do mar

Alinhada à linha do céu

Montanha cortando em dentes de um Tubarão


E nesse quintal

Queimamos as folhas, queimamos neurônios

Queimamos a lua com nuvens baixas

De fumaça


Capinar os sonhos, plantar mudas de sonhos reais

E surreais


Escuto o silêncio,

Ele parou de tocar

Veio aqui me cutucar


Venho aqui para não esquecer

Que esse sou eu

E que eu sou vocês.

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