sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Ao nosso amigo Ton.


(auxílio luxuoso de Rodrigo Camarão Santana - "Cama")


Ontem falamos de você...

Da sua vida e cachos

Da pacaia cabisbaixa e nada triste

Da melancolia inocente amamentada no seio da adrenalina


Do teu fugir


Dos homens... De amigos...

Das folhas e fatos que te lanceiam

Egoísmo são e sóbrio

Soldado de guerrilha só


“Para onde vai o mundo quando olho longe?!?!

Onde fica o escuro quando o chão é quente?!?!

O pescador em minhas costas, tranqüilo, espera a bruta tempestade...”


O Tom da brutalidade é o silêncio do vazio

Que vive quando você não está

Que vivo quando estamos aqui

Em qualquer lugar que se habite o amor


Falamos de você...


Sopramos ao vento, ao mar aberto

Para que a liberdade leve a teu encontro

Nossos ancorados corações

E você assobie no canto solto de qualquer porto

De qualquer porto

De qualquer porto

Que nos ama também.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Pólen e eu: "O segredo do skate é a prática!"

Desde a “separação matrimonial” em 24 de abril de 2009... Aliás, desde antes dela, bem antes... Meu objetivo era dar toda atenção a Pólen para preencher as lacunas que ficariam vagas na ausência do seu pai.

O matriculei no vespertino para compartilharmos durante as manhãs suas tarefas de escola, minhas rotinas de trabalho e outras atividades mais formais. À noite escolhi o menor número de disciplinas na Faculdade para que ele não crescesse com uma identidade vaga ou com princípios flutuantes pela ausência de referências constantes.


2010 passou rápido como um trem bala e intenso como um furacão, que até então me desestabiliza vez em quando. Cacos naturais de mudanças à nova vida.


No segundo semestre ainda em 2010, depois de quase dez anos me vi obrigada a assinalar duas das minhas três principais responsabilidades: a mãe, a profissional, a aspirante em arte. Ambas me dão prazer inexplicáveis, mas as concretudes sociais, mais uma vez me afastaram dos estudos. Sem quaisquer remorsos pelo que ia, e sedenta de dar cabo às então prioridades, assim o fiz.


Neste primeiro semestre de 2011, mais uma vez ao matricular, escolhi apenas três dias de aula na semana para evitar congestionamento de afazeres e outro possível abandono da academia, ainda pregada na metodologia educacional da presença constante.


Porém ontem à noite dei conta de uma mudança que mexeu um pouco comigo. Sai de um evento mais cedo anunciando para o colega: Vou para casa ver minha criança!


(As aulas dele começaram a dois dias e criamos sua rotina de tarefas matinais e noturnas para que possa lidar com a diversão, aprendizado e obrigações harmoniosamente, mesmo quando eu não esteja em casa.)


Abri a porta da sala, guardei minhas coisas no quarto e fui ao seu abraço sempre afetuoso. Me retribuiu o carinho e lançou a seguinte frase:

“Estou terminando de assistir esse desenho, depois vou descer porque o segredo do skate é a prática!”


Senti com força o amadurecimento instantâneo de meu, já não tão, pequeno.


Está crescendo e se tornando cada vez mais independente.


Talvez eu deva fazer o mesmo...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

ereção feminina

o sangue que lateja à ponta do dedo toca o rastro do orgasmo...
tum tum
tum tum
você e tu
orgasmo cru

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Pagodão.

Sexta-feira a tardinha, após visitar alguns clientes, indo para casa de meus pais, onde meu filho aguardava para mais um fim de semana em suas já saudosas férias de verão.

Noto um Gol prata, terceira geração, quatro portas, vidros fumês e um musculoso fazendo estripulias na pista para chamar atenção. Reduz, acelera, espera no semáforo... Escutei a percussão querendo invadir as bocas de som tímidas que Bebel acomoda.

Tá bom. Vamos ver o que escuta essa figura eufórica. Baixei minha música e surpreendi com a unanimidade popular soteropolitana: Pagode! Ele escuta pagode! Que lindo! Minhas gargalhadas em comboio custaram a cessar. Nada contra a manifestação cultural da massa, que por sinal a ela compete. Mas a primeira coisa que veio à cabeça foi a minha imagem de salto alto, short jeans meia polpa, top e camiseta customizada do Salvador Fest, dançando “até o chão, mamãe!”. O motivo da graça foi esse; pronto!

Volto ao meu som, mas não ignoro a presença do insaciável que continua a acelerar e desacelerar, investindo literalmente alto. Volta e meia vou de carona em seu joguinho de sedução, adoro me divertir com esses coito-desesperados.

Continua se exibindo com toda pose de galã, grande homem sobre quatro rodas, janelas escancaradas e uma música de endoidecer periguetes, exibindo todo o seu braço musculoso... Ops. Ele deixou escapar a sua mão para fora. Danadinho! Ali tem uma aliança. O rato, percebendo seu furo, foge depressa de volta ao esgoto após tentativa frustrada de roubar o queijo. Jogou a mão de volta para o interior seu paqueramóvel e tentou disfarçar de todo jeito.

Como eu me divirto com esses homens!

Ainda um pouco atrás, fui encostando devagar. Carros paralelos na mesma velocidade, olhei nos olhos do troncudo, fiz um biquinho de coitado e acelerei cantando em despedida.

De cá minhas gargalhadas. Lá um suposto lamento de coito interrompido.

“Foge, foge, Mulher Maravilha!”

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Onanismo


Silêncio arde em inspiração

Universo inalcançável

Perspectivas porções desejáveis invejáveis

Vento denso atravessa as orelhas

Passa nada além que fica

Majestoso compartilha; ameniza; acelera

Penetra o ventre

Vento ventríloquo

Sopro sapeca fingindo ser sopro só

Eu te sei safado

Embriaga e seduz

Esparrama e brota

Nasce prazer

Mais leve cochilo...

Antes cochicho...

E ainda sussurro...

Que Delícia!